COMISSÃO INDEPENDENTE DE APOIO AO CENTRO JUVENIL

Este espaço foi criado para divulgarmos as necessidades e dificuldades do nosso Centro Juvenil, bem como as conquistas já alcançadas nesse importante projeto de reestruturação. Também,relembrarmos, através de imagens e relatos de momentos inesquecíveis vividos neste importante local para as crianças, jovens e adolescentes de Poxoréu-MT.

09 junho 2006

AO MESTRE ARMANDO




Para os ex-alunos do Centro Juvenil é impossível contar e relembrar sua história sem associá-la ao Mestre Armando Catrana. Lembro-me como hoje, - não deveria ter mais do que treze anos – quando recebemos a notícia de que o Mestre Armando estava retornando à Poxoréo. Todos, alunos do centro juvenil, sob os cuidados do professor Neuvany e Adolfo Catalá, fomos recebê-lo na estrada que dá acesso à Rondonópolis, na curva da “Santinha”. A estrada ainda não era asfaltada, a poeira era intensa, mas a curiosidade e empolgação de adolescente falaram mais alto. A aventura foi tanta que fomos em um jeep azul sem capota, dirigido pelo “Tibico”, eu, Neta, Neguinho e outros alunos do centro juvenil. Lembro-me que foi muito emocionante, cantamos e abraçamos o Mestre, como desejo de “boas-vindas”.

Até aquele momento, entretanto, somente conhecíamos as histórias e trabalhos realizados pelo Mestre Armando, contadas com muito entusiasmo pelos seus primeiros alunos.
A partir dali, a vida dos jovens do centro juvenil mudou. O Mestre Armando Catrana passou a fazer parte do nosso cotidiano, nas atividades desportivas, religiosas, dentre outras comandadas por ele. Ele reunia várias pessoas em si, na medida em que ora era duro e cobrava disciplina, ora era doce e distribua abraços e afago; ora impunha, ora debruçava-se em gargalhadas (aquela com característica própria que ninguém esquece).
Felizmente pude compatilhar de tudo isso, participava ativamente das missas aos domingos, dos momentos de recreação nas férias, principalmente dos campeonatos de ping-pong, fui monitora da equipe pre-jur (juntamente com a Dorinha Corrêa), e também das várias atividades esportivas e colônia de férias desenvolvidas pelo Centro Juvenil.
Essa convivência foi imprescindível para a formação do caráter e da personalidade de muitos jovens que por ali passaram, o que é sempre confirmado quando temos contatos com ex-alunos do Centro Juvenil, conforme fez questão de relatar o Dr. Pompílio Paulo de Azevedo Neto (filho da Dona Branca), hoje promotor de Justiça da Comarca de Sapeza-MT, que contribuiu com material esportivo para o Centro Juvenil.

Assim, gostaríamos de registrar, em vida, as nossas homenagens, agradecimentos e respeito ao Mestre Armando Catrana e, parafraseando apóstolo bíblico, dizer que ele “foi o sal das nossas vidas”.

Juscilene Vieira de Souza
(Advogada e bacharel em Pedagogia, ex-aluna do Centro Juvenil)



Procura-se um Amigo

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimento, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja de todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

VINÍCIUS DE MORAES